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Estádio Municipal de Braga vai ser o palco do 14.º clássico entre Benfica e FC Porto em campo neutro. E, pela primeira vez, não será uma final, pois esta terça-feira (19.45 horas) disputa-se a meia-final da Taça da Liga, que dá direito a discutir o troféu no sábado.

A história diz-nos que os encarnados levaram a melhor por sete vezes, contra seis dos dragões, sendo que os lisboetas têm mais dez golos marcados nestas partidas disputadas em "terra de ninguém" (21-11). Estes duelos estão cheios de histórias que marcaram o futebol português.

Um dos mais emblemáticos confrontos entre Benfica e FC Porto em terreno neutro foi a final da Taça de Portugal de 1982/83, que acabou por ser disputado no início da época seguinte no... Estádio das Antas. Sim, nessa tarde, aquela que era a casa do dragão virou terreno neutro por ordem da Federação Portuguesa de Futebol (FPF). E tudo porque a direção portista, já liderada por Pinto da Costa, se recusou a jogar no Estádio Nacional, o habitual palco da final da Taça.

O problema começou quando a FPF marcou as Antas como palco do jogo decisivo, bem antes de saber quais seriam as equipas que iriam disputá-lo. Quando Benfica e FC Porto eliminaram, respetivamente, Portimonense e Académica nas meias-finais, estava criado um problema. Os dirigentes federativos resolveram então remarcar a final para o Jamor, uma decisão causou revolta entre os portistas, que em Assembleia Geral decidiu não comparecer à partida se a FPF mantivesse o Estádio Nacional como palco. Pois bem, a federação demorou depois bastante tempo a emitir uma decisão final e quando o fez os jogadores das duas equipas já tinham ido de férias, optando então marcar a final para as Antas no dia 21 de agosto, uma semana antes da 1.ª jornada do campeonato da época seguinte.

Na Luz, Sven-Göran Eriksson, treinador dos encarnados, afirmou para não se preocuparem que o Benfica ia ao Porto para trazer o troféu. E assim foi. Um remate de Carlos Manuel a 30 metros da baliza bateu o guarda-redes Zé Beto aos 20 minutos e valeu a conquista do troféu.

A fuga de José Pratas

Bem quentes foram as Supertaças disputadas no início dos anos de 1990. Na altura, o troféu era disputado a duas mãos e nas três épocas que os dois rivais disputaram este troféu foi sempre necessário realizar uma finalíssima, que é como quem diz um terceiro jogo para desempatar.

Foi assim em 1992, pois o Benfica tinha ganho na Luz por 2-1 e o FC Porto nas Antas por 1-0. Como os golos fora não contavam para o desempate, reencontraram-se a 9 de setembro, em Coimbra. A partida estava a ser bastante quentinha no relvado, mas o caldo entornou-se definitivamente aos 72 minutos quando Isaías abriu o marcador, na recarga a uma defesa de Vítor Baía nas alturas perante Rui Águas. De imediato, os jogadores portistas correram na direção do árbitro José Pratas, que não foi de modas e fugiu deles a sete pés.

18 anos depois, numa entrevista, o árbitro de Évora justificou aquele momento caricato. "Não foi uma fuga, foi uma reação natural de quem se sente atacado e ameaçado. Devia ter acabado com o jogo por insubordinação da equipa do FC Porto", explicou José Pratas que terá mesmo ficado marcado por aquela perseguição: "Nem preguei olho! Cada vez que fechava os olhos lá vinham o Couto e o Paulinho Santos direitos a mim..."

O certo é que o FC Porto acabou por empatar essa finalíssima aos 84 minutos graças a um penálti marcado pelo capitão João Pinto, remetendo a decisão para as grandes penalidades. E aí o Benfica chegou a ter uma vantagem de 3-0. Com o presidente portista Pinto da Costa ajoelhado junto à linha lateral, os dragões treinados por Carlos Alberto Silva acabariam por vencer por 4-3 e levantaram o troféu.

Dois anos depois, as duas equipas voltaram a encontrar-se em Coimbra para mais uma finalíssima da Supertaça decidida no desempate por penáltis, voltando os portistas a levar a melhor. Isto depois de um final de jogo emocionante em que Domingos Paciência marcou aos 85 minutos e Tavares empatou aos 89. No prolongamento, Carlos Secretário voltou a adiantar os dragões, mas a dois minutos do fim César Brito voltou a colocar igualdade no marcador, numa altura em que os portistas Aloísio e Rui Barros já tinham sido expulsos pelo árbitro Veiga Trigo. Os penáltis voltaram a ser malditos para os encarnados que perderam outra vez por 4-3.

Foi preciso esperar nove meses para atribuir a Supertaça de 1994. Após dois empates (1-1 e 0-0) nas duas mãos realizadas em agosto e setembro, eis que a finalíssima só se disputou a 20 de junho de 1995 e, desta vez, a Federação Portuguesa de Futebol escolheu o Parque dos Príncipes, em Paris, para que fosse feita uma festa de final de época para os emigrantes. Só que as duas equipas apresentavam-se sem algumas das suas principais estrelas como por exemplo João Pinto, Drulovic e Yuran (já tinha terminado contrato) por parte do FC Porto, Preud'Homme, Isaías, Vítor Paneira, Mozer, Edilson e João Vieira Pinto por parte do Benfica.

A organização do jogo, para poupar nas despesas, chegou a propor aos dois clubes que viajassem no mesmo avião, algo logo descartado por ambos... afinal, as relações era péssimas. O jogo, que marcou o fim da carreira do capitão benfiquista António Veloso, lá se realizou sem incidentes, com a vitória do FC Porto por 1-0 graças a um golo de Domingos Paciência no início da segunda parte. Os emigrantes, que encheram o histórico estádio parisiense, fizeram uma festa portuguesa durante a primeira e única vez que o clássico se disputou foram das fronteiras portuguesas.

No total foram cinco clássicos em campo neutro para a Supertaça, todos favoráveis ao FC Porto, mas foi na Taça de Portugal que estas equipas mais se defrontaram fora dos respetivos estádios. Das sete vezes que se enfrentaram, sempre em finais, o Benfica venceu seis vezes e os dragões apenas uma.

A última vez que houve um duelo no Jamor foi a 16 de maio de 2004. Dez dias antes de o FC Porto conquistar o segundo título de campeão europeu frente ao Mónaco, em Gelsenkierchen. Contudo, essa final da Taça de Portugal sorriu ao Benfica, acabando por ser um marco para o clube da Luz, uma vez que assinalava o fim de um longo jejum e daqueles que foram os piores anos da sua história. Os portistas eram amplamente favoritos nessa tarde e quando Derlei abriu o marcador à beira do intervalo tudo se conjugava para que José Mourinho conquistasse mais um troféu antes da final da Liga dos Campeões.

Só que no início da segunda parte, o grego Fyssas empatou o jogo, que acabou por ir para prolongamento numa altura em que Jorge Costa já tinha sido expulso. Aos 104 minutos, Simão Sabrosa bateu o guarda-redes Nuno Espírito Santo e devolveu os sorrisos aos benfiquistas que há oito anos que não sabiam o que era conquistar um troféu.

O primeiro jogo de sempre entre os dois rivais em campo neutro foi também no Estádio Nacional, em junho de 1953. Era a primeira final da Taça de Portugal em que participava o FC Porto, enquanto o Benfica já tinha no seu currículo seis troféus. A falta de experiência terá ditado o descalabro da equipa, que acabou goleada por 5-0, graças a três golos de Arsénio, e os outros dois apontados por Rogério Pipi e José Águas. O Benfica levantava mais uma vez o troféu, agora pela quarta fez consecutiva.

A desforra portista deu-se cinco anos depois. Quando um golo de Hernâni permitiu aos dragões vencer o Benfica por 1-0, conquistando assim a segunda Taça de Portugal da sua história. Essa foi, aliás, a única vez que o FC Porto venceu o rival em finais da Taça.

Há apenas um duelo em campo neutro para a Taça da Liga, foi precisamente na final de 2009/10, no Estádio do Algarve. O Benfica vivia em estado de graça causado pelas boas exibições da equipa no primeiro ano de Jorge Jesus à frente da equipa, enquanto o FC Porto de Jesualdo Ferreira sofria, provavelmente, do desgaste de um ciclo de quatro anos consecutivos em que foi campeão nacional.

Rúben Amorim, Carlos Martins e Cardozo construíram um triunfo claro que assinalou o primeiro de muitos troféus de Jesus como treinador dos encarnados. Aliás, o clube da Luz já contabiliza sete troféus daquela que é a mais nova competição do calendário futebolístico nacional. Ao contrário, a Taça da Liga é a única prova que o FC Porto não conseguiu vencer até ao momento, sendo esse mais um aliciante para o jogo desta terça-feira em Braga. É que quem vencer dá um passo importante para a primeira conquista da temporada.

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Eusébio da Silva Ferreira e Johan Cruyff são duas das principais figuras do futebol mundial e marcaram eras distintas na história de Benfica e de Ajax na Taça dos Clubes Campeões Europeus. O 'Pantera Negra' coincidiu com ascensão do Benfica no panorama do futebol mundial na década de sessenta e deixou a sua marca em várias finais europeias e tornando-se assim numa das referências máximas do futebol português.

Johan Cruyff por outro lado foi fundamental para a hegemonia do Ajax no futebol europeu no início da década de setenta ao levar o clube de Amesterdão a três títulos europeus consecutivos, antes de rumar ao Barcelona para se tornar numa das figuras míticas do clube catalão como jogador e mais tarde como treinador.

Depois de Di Stéfano e Pelé entrarem para o panteão dos mitos do futebol mundial, Eusébio surgiu em destaque no início da década de sessenta ao serviço do Benfica e da Seleção Nacional de 1966, mas no início da década de setenta, o 'Pantera Negra' passou o testemunho de melhor do mundo a um jovem holandês do Ajax que brilhou na Luz com dois golos em 1969.

E a poucas semanas do 'reencontro' entre Ajax e Benfica na Liga dos Campeões, o SAPO Desporto marcou um encontro com a história para recordar essa primeira eliminatória dos dois clubes que coincidiu com o passar de testemunho entre dois 'deuses do futebol' para uma nova era do futebol europeu.

Benfica europeu da década de 60: Uma máquina temível de fazer golos

"Lembro-me bem da caminhada do Benfica até à conquista da primeira Taça dos Clubes Campeões Europeus pois era presença assídua nesses jogos", começa por recordar Vítor Cândido, antigo jornalista do jornal A Bola e antigo jogador da formação do Sporting.

"Vi todos os jogos do Benfica no Estádio da Luz nessa caminhada europeia. Eu jogava nas camadas jovens do Sporting e o nosso cartão de jogador da Associação de Futebol de Lisboa dava para nós irmos ver os jogos ao Estádio da Luz. Lembro-me de ver noites de futebol fantásticas das 'papoilas saltitantes', como ainda hoje se ouve no hino; do José Augusto a cruzar para o Águas para golo num ambiente fantástico. Golos com fartura", acrescenta Vítor Cândido em entrevista ao SAPO Desporto.

José Águas com o troféu da conquista da Taça dos Clubes Campeões Europeus de 1961
José Águas com o troféu da conquista da Taça dos Clubes Campeões Europeus de 1961 créditos: DR

Mas se hoje em dia a caminhada gloriosa do Benfica na Taça dos Campeões Europeus de 1961 e 1962 já não é novidade, na altura, era um feito inédito, e até surpreendente, para quem acompanhava de perto a realidade futebolística em Portugal.

"Até àquela altura, o Benfica nunca tinha ganho uma eliminatória nas competições europeias. Portugal era um país pequeno em tudo; estávamos atrasados em tudo e no futebol também. Havia cá as nossas rivalidades, as nossas grandes equipas, mas era cá para o consumo interno. Mas nunca passou pela cabeça que o Benfica fizesse uma carreira daquelas. E à medida que ia passando as eliminatórias ficava tudo cada vez mais estupefacto", recorda Vítor Cândido.

A primeira Taça dos Clubes Campeões da Europa, sem Eusébio!

Com mais de 20 golos marcados na prova, o Benfica chegou à sua primeira final europeia frente ao Barcelona de jogadores como László Kubala, Luis Suárez, Sándor Kocsis ou Zoltán Czibor. Em Berna, os 'encarnados' eram encarados pelos catalães como um adversário acessível e Béla Guttmann, mítico treinador das 'águias' nesse período, aproveitou essa subestimação do adversário para fazer história no Benfica e conquistar o primeiro troféu europeu com golos de José Águas, Mário Coluna e um auto-golo do guardião adversário. E isto tudo sem Eusébio, que ainda não estava na equipa principal do Benfica.

"O Benfica tinha uma 'equipona'", recorda Vítor Cândido antes de enumerar alguns dos jogadores que fizeram história e que preparam o 'terreno' para o surgimento de jogadores como Eusébio e Simões.

"Germano, Ângelo, Cruz, Cavém, o Neto, do Montijo, e depois à frente Coluna, José Águas, Santana. O Santana teve de sair quando chegou o Eusébio", conta-nos Vítor Cândido.

"O Santana era um jogador fantástico e teve de sair um. Como dizia o Béla Guttman quando viu o Eusébio a fazer os exercícios e os primeiro treinos: 'Isto é ouro, isto é ouro!'. E pronto, alguém tem de sair da equipa e foi o Santana; e no ano seguinte foi o que se sabe. Ganham 5-3 ao Real Madrid na final de Amesterdão com uma grande equipa, já com o Simões, que era junior", atira o antigo jornalista em declarações ao SAPO Desporto.

A segunda Taça dos Clubes Campeões em Amesterdão e as finais perdidas seguintes

Depois de vencer o Barcelona por 3-2 em Berna, o Benfica ganhou o estatuto de campeão europeu e no ano seguinte a história parecia repetir-se à boleia de dois 'fenómenos' do futebol português: Eusébio e Simões. Na final de 1962, em Amesterdão, os 'encarnados' golearam o Real Madrid de Puskas e Di Stéfano por 5-3 e revalidaram o título europeu de clubes contra todas as expectativas, novamente. Ao derrotar o 'poderoso' Real Madrid, o Benfica garantiu desta forma um lugar no panteão dos grandes clubes europeus, e seguiram-se várias finais nas épocas seguintes. A reputação do Benfica de Eusébio na Europa ia crescendo de ano para ano, e apesar das derrotas nas finais de 1963, 1965 e 1968 toda a Europa do futebol estava encantada com a qualidade da equipa portuguesa, nomeadamente Eusébio. E mesmo com a guerra colonial a decorrer em vários pontos de África, as finais europeias do Benfica eram acompanhadas de perto pelos soldados, como nos conta Vítor Cândido, antigo combatente do ultramar.

Bobby Charlton e Mário Coluna trocam galhardetes antes da final da Taça dos Clubes Campeões Europeus de 1968
Bobby Charlton e Mário Coluna trocam galhardetes antes da final da Taça dos Clubes Campeões Europeus de 1968. créditos: Manchester United

"Lembro-me dessa final de 1968 em Wembley com o Manchester United porque acompanhei o relato no norte de Moçambique durante a guerra colonial. Acompanhei o relato, já era assim tarde e tinha que ter o rádio muito baixinho para não fazermos barulho. Nós a apanharmos a onda curta, ou como é que se chamava aquilo, e a ouvir o relato do jogo em que o Eusébio não conseguiu marcar um golo aos 90 minutos e depois no prolongamento os jogadores do Benfica foram-se a baixo. E depois foi o descalabro no prolongamento, penso que os jogadores do Benfica não estiveram à altura dos ingleses físicamente", recorda Vítor Cândido.

O 'fenómeno' chamado Cruijff e a 'passagem de testemunho' entre dois 'deuses do futebol'

Na época de 1968/1969, o Ajax chegava à Taça dos Clubes Campeões Europeus com um currículo europeu ainda modesto. A primeira participação na prova da equipa de Amesterdão aconteceu em 1957 com uma derrota frente aos húngaros do Vasas SC que acabou por eliminar o Ajax nos quartos de final.

Três épocas depois, o Ajax regressa à principal prova europeia de clubes, mas acaba por ser eliminado ainda na primeira eliminatória frente aos noruegueses do Fredrikstad por 4-3. Na temporada de 1966/1967, o Ajax chega aos quartos de final mas acaba por ser eliminado pelos checos do FK Dukla Dejvice. Apesar das derrotas, no conjunto holandês há um jovem de 19 anos de nome Johan Cruyff que começa a dar que falar. Na época seguinte, o Ajax é eliminado na primeira ronda com o Real Madrid depois de um empate a 1-1 em Amesterdão, com um golo do jovem prodígio holandês, e de uma derrota por 2-1 em Madrid após prolongamento.

O momento em que José Augusto se prepara para marcar um golo em Amesterdão na vitória por 3-1 do Benfica
O momento em que José Augusto se prepara para marcar um golo em Amesterdão na vitória por 3-1 do Benfica. créditos: AFP/AP/D.R.

Em 1968/1969, o Benfica entra na Taça dos Clubes Campeões Europeus com o estatuto de vice-campeão e defronta pela primeira vez o Ajax nos quartos de final da prova. Depois de uma vitória por 3-1 em Amesterdão num relvado coberto de neve, o Benfica regressa a Lisboa com uma vantagem confortável. Em entrevista ao SAPO Desporto, José Augusto e António Simões recordaram essa eliminatória e o 'fenómeno' chamado Cruyff.

"É o aparecimento do Johan Cruijff, em que a partir daí o Ajax domina a Europa e se torna campeão Europeu três vezes consecutivas. É a primeira vez na história que o valor do futebol holandês aparece em pleno com uma geração fantástica de jogadores com Keizer, Cruijff, Haan, Swart ou Neeskens", afirma António Simões ao SAPO Desporto.

"O Ajax tinha uma equipa formidável nessa altura com o Cruyff, depois de ganharmos em Amesterdão perdemos 3-1 aqui em Lisboa. Não estávamos tão habituados a jogar na neve. Eles sim, estavam mais habilitados a jogar naquele campo cheio de neve, mas nós jogámos bastante bem, apesar de termos o gelo a um palmo de altura, mas nós estivemos bem, lá para o fim já se jogava à bola, picávamos a bola ligeiramente para cima, batíamos a bola para onde queríamos que ela fosse", recorda José Augusto.

Eusébio em ação no relvado coberto de neve do Estádio Olímpico de Amesterdão
Eusébio em ação no relvado coberto de neve do Estádio Olímpico de Amesterdão. créditos: AFP/AP/D.R.

"Naquela altura, na Europa, sobretudo no norte, jogos com neve eram perfeitamente naturais, agora, eles estavam muito mais habituados a jogar, mas não tinham o talento que nós tínhamos. Embora tivessem jogadores talentosos, era uma equipa excelente e isso comprovou-se depois em Lisboa, num estádio que tinha uma relva que era um espectáculo, e aí o Cruyff mostrou-se mais e foram melhores", acrescenta o antigo extremo direito do Benfica ao SAPO Desporto.

Com a derrota no Estádio da Luz por 3-1, o Benfica era obrigado a jogar um terceiro jogo em Paris para seguir em frente na prova. O Ajax acabou por vencer por 3-0 em França e apurar-se para as meias-finais onde derrotou Spartak Trnava. Na final de 1968/1969, Cruyff e companhia acabariam por ser goleados pelo AC Milan por 4-1, mas a glória do Ajax estava perto.

Johan Cruijff discute com José Henrique no Estádio da Luz no jogo da segunda mão dos quartos de final da Taça dos Campeões Europeus
Johan Cruijff discute com José Henrique no Estádio da Luz no jogo da segunda mão dos quartos de final da Taça dos Campeões Europeus.créditos: AFP/AP/D.R.

"O Ajax foi sempre uma equipa muito difícil, especialmente naquela década de 70, em que foram campeões europeus três vezes consecutivas e isso justifica o que fizeram na Luz [em 1969]. Impressionaram a Europa porque tinham jogadores extraordinários, especialmente o Cruyff, que era um jogador das características de um Eusébio, do Puskas ou do Di Stefano de uns anos antes. Era um jogador dessa craveira", atira José Augusto.

"O Cruijff foi um fenómeno. Com 17 anos já era titular do Ajax. Era o Cruijff que era a maravilha, foi ele que acabou por substituir o Eusébio e o Pelé nessa designação de 'melhor do mundo'. O Pelé e o Eusébio estavam a terminar a sua carreira e começou a era Cruijff que veio antes da era Maradona", frisa Vítor Cândido.

Johan Cruijff em ação no jogo em Paris no jogo entre Ajax e Benfica em 1969
Johan Cruijff em ação no jogo em Paris no jogo entre Ajax e Benfica em 1969. créditos: AFP/AP/D.R.

"Isto tem tudo a ver com os deuses do futebol. E quando digo deuses do futebol estou a referir-me a Pelé, Eusébio, Cruijff, Maradona, e tal. A ascensão dos deuses do futebol numa equipa ocasionam que a sua equipa ande cá em cima, suplantando tudo. O Eusébio, o deus Eusébio, que já está numa fase de menos fulgor, já tinha sido operado ao joelho uma seis ou sete vezes e passava muito tempo fora dos jogos a recuperar das operações", acrescenta Vítor Cândido, considerando que a ascensão de Cruijff marcou o início de outra era no futebol europeu.

"Em sentido contrário, no Ajax está a aparecer o deus deles no início da década de setenta: o Cruijff. A desembrulhar as situações todas e com uma grande equipa a seu lado. Como o Eusébio também tinha porque o Benfica tinha uma 'equipona' tanto nos anos 60 como nos anos 70", sentenciou Vítor Cândido.

José Torres celebra um golo do Benfica frente ao Ajax
José Torres celebra um golo do Benfica frente ao Ajax no jogo da segunda mão dos quartos de final da Taça dos Campeões Europeus de 1969.créditos: AFP/AP/D.R.

Já António Simões considera que "o aparecimento do Ajax faz com que o Benfica não volte a ser campeão Europeu" no final da década de sessenta e início da década de setenta.

"É com o aparecimento do Ajax que o Benfica número um da Europa passa para número dois. É o aparecimento do Cruijff, é o Eusébio a passar o testemunho ao Cruijff, é o Simões a passar o testemunho ao Keizer, é o Jaime Graça a passar ao Haan, o Torres a passar ao Rep. É inacreditável que haja características tão semelhantes dos jogadores do Benfica que estão nos seus últimos 4/5 anos e os jogadores do Ajax que estão nos seus primeiros 4/5 anos. Nós teríamos preferido passado o nosso testemunho a portugueses, não aos holandeses", afirmou o antigo jogador do Benfica ao SAPO Desporto.

O 'futebol total' do Ajax que dominou a Europa na década de 70

Mas o sucesso do Ajax no futebol europeu não se resumiu apenas ao talento de Cruijff. O conjunto de Amesterdão apresentou uma nova filosofia nos relvados e que ainda hoje é encontra 'discípulos' em toda Europa: o futebol total.

"O Ajax foi a primeira equipa a jogar um 'futebol total', uma coisa impressionante. Chamavam à seleção da Holanda de 'Laranja Mecânica' porque aquilo era praticamente a equipa do Ajax. Mas também havia o Feyenoord que era uma equipa fantástica", diz Vítor Cândido.

Mundial_1974_Holand#143DC57 • West German goalkeeper Sepp Maier catches the ball in front of Dutch forward Johan Cruyff as defender Franz Beckenbauer (L) looks on, 07 July 1974 in Munich, during the World Cup soccer final. Host West Germany beat The Netherlands 2-1 to earn its second World Cup title, twenty years after its first win over Hungary (3-2), 04 July 1954 in Bern. AFP PHOTO • STAFF

"Era futebol total porque todos os jogadores defendiam e todos jogadores atacavam. E para nós que estávamos habituados a ver os defesas em funções defensivas exclusivas isso era uma novidade. Antigamente os jogadores não tinham autorização para passar do meio-campo, agora os laterais vão até ao outro lado para cruzar. Às vezes falo disso com o meu amigo Hilário [ex-internacional português, glória do Sporting e lateral esquerdo] e ele diz-me que 'o nosso treinador não nos deixava passar do meio-campo'", recorda Vítor Cândido.

"A equipa do Ajax era realmente muito à frente com o seu futebol total. Ainda hoje há equipas que jogam assim, como o Bayern. A equipa que vimos aqui do Bayern em Lisboa [no jogo inaugural do Grupo E da Liga dos Campeões] foi precisamente isso: do futebol total. Com três jogadores a pontificar no ataque que são preponderantes, que possam jogar sistematicamente a defender e a atacar", frisa José Augusto.

"O Robben pelo lado direito, o Lewandowski, e o Ribéry no lado esquerdo. São jogadores que integram e que fazem mover todo aquele jogo no meio campo. Os defesas laterais a subir e a recuperarem as bolas, sobretudo. As táticas são o que são, mas quem as aplica em campo são os jogadores. Os jogadores é que transportam sectorialmente as ideias para o campo e fazem com que o sistema tático possa evoluir de uma forma. E em qualquer época a velocidade é uma componente importantíssima no futebol. E quando temos jogadores talentosos como é o caso [do Cruijff], isso vem sempre ao de cima", sentencia José Augusto.

O 'reencontro' entre dois 'gigantes' na Europa do futebol

Benfica e Ajax reencontram-se nas próximas jornadas da Liga dos Campeões em dois jogos que vão ser decisivos para o apuramento dos oitavos de final da prova. Os holandeses lideram neste momento o Grupo E depois de um empate a 1-1 em Munique frente ao 'poderoso' Bayern Munique e no plantel do Ajax continua a reinar a filosofia de um clube formador que já deu alguns dos maiores talentos do futebol holandês. O Benfica seguiu o exemplo de outros clubes formadores na Europa e procura, tal como o Ajax, recuperar o prestígio europeu que lhe valeu a hegemonia no 'velho continente'.

Benfica-Juventus: International Champions Cup
João Félix reage depois de ter falhado um penalti @Adam Hunger/Getty Images/AFP créditos: AFP

"Há uma escola holandesa que assenta sobretudo no Ajax e parece-me que desta vez está a reaparecer essa escola numa quantidade e numa persistência daquilo que é o seu próprio modelo. Ou seja, os holandeses nunca abandonaram esse modelo mas nunca tiveram uma fornalha com tanto potencial como esta [atual]. E agora nós [no Benfica] temos de nos confrontar com essa escola, com essa tradição, com esse modelo, mas com o reaparecimento da qualidade. O Benfica vai ter de se confrontar com tudo isso", afirmou António Simões sobre os próximos jogos com o Ajax.

"Penso que é importantíssimo para a qualidade do futebol que estes clubes com tradição de formação continuem. O Benfica tem várias escolas em vários sítios onde tem as casas do clube, 284 casas do Benfica para ser mais preciso, e neste momento há muitas que têm escolas de jogadores e que o Benfica vai acompanhando porque as casas vão mantendo o clube informado do surgimento de novos talentos", começou por dizer José Augusto antes de fazer a antevisão dos próximos jogos do Benfica com o Ajax.

"Penso que vão ser jogos equilibrados, apesar de tudo o Ajax também tem uma escola e bons jogadores e é um clube de produção, como o Benfica agora o é. Estou convencido que estes dois jogos com o Ajax vão ser realmente importante para as nossas possibilidades de continuar na Liga dos Campeões porque o Ajax será o nosso adversário direto na disputa pelo segundo lugar. Mas não será fácil, nem para nós nem para o próprio Ajax uma vez que são duas equipa de nível idêntico e com muitos jogadores talentosos", sentenciou José Augusto.

Fonte: Sapo Desporto

 

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O Benfica é TetraCampeão!

por João Silva, em 14.05.17

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PARABÉNS!!!

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Rui Vitória está perto de fazer história

por João Silva, em 17.03.17

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Rui Vitória está perto de fazer história no Benfica. Caso vença no sábado o Paços de Ferreira, o técnico será o mais rápido de sempre a alcançar 50 triunfos na liga portuguesa. Os três pontos também valem a maior percentagem de sempre de vitórias obtidas por um treinador ao serviço do Benfica. De acordo com contas do jornal A Bola, Jimmy Hagan - técnico entre 1970 e 1973 - foi o mais rápido de sempre a atingir essa marca das 50 vitórias, precisando apenas de 62 partidas para alcançar esse feito. Rui Vitória tem cerca 59 jogos ao serviço do Benfica no campeonato, ou seja, basta que o treinador vença uma das duas próximas partidas (frente ao Paços ou frente ao FC Porto) para garantir esse feito. Jorge Jesus precisou de 68 partidas para atingir a meia centena de triunfos. Em termos de percentagem de vitórias ao serviço do "glorioso", o atual técnico ocupa a segunda posição, com 83,1 %, atrás de Jimmy Hagan. Jorge Jesus alcançou o registo de 75,5 % de triunfos ao serviço do Benfica.

 

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Mais um feito inédito de Rui Vitória

por João Silva, em 30.12.16

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Ao bater o FC Paços de Ferreira no último jogo do ano de 2016, o Benfica igualou o recorde máximo de vitórias de sempre num ano, um recorde nacional partilhado com o FC Porto.

As águias chegaram às 44 vitórias no ano civil de 2016, o mesmo número que os dragões conseguiram no ano de 2010 sob o comando de Jesualdo Ferreira, primeiro, e André Villas-Boas, depois.

Num olhar exclusivo ao presente, o número de triunfos conseguidos pelo Benfica em 2016 só encontra paralelo no FC Barcelona, a outra equipa a ganhar 44 encontros no ano que agora termina.

Um feito com dedo de Rui Vitória. O treinador das águias acaba por se tornar no primeiro português a alcançar tantas vitórias num ano, superando os 42 triunfos de Jorge Jesus em 2014.

 

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LISTA DE TODOS OS JOGOS:

23/07/1957 – Santos FC 3-2 SL Benfica – Vila Belmiro – Amistoso
15/06/1961 – Santos FC 6-3 SL Benfica – Paris, França – Torneio de Paris
19/09/1962 – Santos FC 3-2 SL Benfica – Maracanã – Mundial Interclubes
11/10/1962 – SL Benfica 2-5 Santos FC – Lisboa – Mundial Interclubes
21/08/1966 – Santos FC 4-0 SL Benfica – New York, Estados Unidos – Torneio de New York
18/08/1968 – Santos FC 4-2 SL Benfica – Buenos Aires, Argentina – Pentagonal de Buenos Aires
01/09/1968 – Santos FC 3-3 SL Benfica – New York, Estados Unidos – Amistoso

 

15/06/1961 – Santos FC 6-3 SL Benfica
Local: Estádio Parc des Princes, em Paris, França.
Competição: Torneio de Paris
Árbitro: Pierre Achinte

Santos: Laércio; Mauro e Décio Brito; Getúlio, Brandão e Lima; Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe. Técnico: Lula
Benfica: Barroca; João, Angelo (Mendes) e Germano; Neto e Cruz; José Augusto, Santana (Eusébio), Águas, Coluna e Cavem.
Golos: Pelé [2], Pepe [2], Coutinho e Lima; Eusébio [3]

 

19/09/1962 – Santos FC 3-2 SL Benfica
Local: Estádio Maracanã, no Rio de Janeiro.
Competição: Mundial Interclubes
Árbitro: Ruben Cabrera (Paraguai)

Santos: Gilmar; Lima, Mauro, Calvet e Dalmo; Zito e Mengálvio; Dorval, Coutinho, Pelé e Pepe. Técnico: Lula
Benfica: José Rita; Angelo, Humberto, Raúl e Cruz; Cavem e Coluna; José Augusto, Santana, Eusébio e Simões. Técnico: Fernando Riera.
Golos: Pelé aos 31min do primeiro tempo; Santana aos 14min, Coutinho aos 19min, Pelé aos 41min e Santana aos 42min do segundo tempo.

 

11/10/1962 – SL Benfica 2-5 Santos FC
Local: Estádio da Luz, em Lisboa, Portugal.
Competição: Mundial Interclubes
Árbitro: Pierre Schinter (França)

Santos: Gilmar; Olavo, Mauro, Calvet e Dalmo; Zito e Lima; Dorval, Coutinho, Pelé e Pepe. Técnico: Lula
Benfica: Costa Pereira; Humberto, Raul e Cruz; Cavem e Jacinto, José Augusto, Santana, Eusébio, Coluna e Simões. Técnico: Fernando Riera.
Golos: Pelé aos 17min e aos 27min do primeiro tempo; Coutinho aos 3min, Pelé aos 20min, Pepe aos 32min, Eusébio aos 41min e Simões aos 44min do segundo tempo.

 

21/08/1966 – Santos FC 4-0 SL Benfica
Local: Estádio Randalls Island Stadium, em New York, no Estados Unidos.
Competição: Torneio de Nova York
Árbitro: John Di Salvatore

Santos: Gilmar; Carlos Alberto, Oberdan, Orlando e Lima; Zito (Joel) e Mengálvio; Dorval (Amauri), Toninho, Pelé (Salomão) e Edu. Técnico: Lula
Benfica: Costa Pereira; Raul, Cruz , Caven, Jacinto; Jaime Graça, José Augusto (Iaúca), Torres (Nélson), Eusébio, Coluna e Simões. Técnico: Fernando Rieira
Golos: Toninho aos 16min do primeiro tempo; Edu aos 13min e aos 19min e Pelé aos 31min do segundo tempo.

 

18/08/1968 –  Santos FC 4-2 SL Benfica
Local: Estádio La Bombonera, em Buenos Aires, Argentina.
Competição: Pentagonal de Buenos Aires
Árbitro: Aurelio Bozzolini

Santos: Gilmar (Cláudio); Carlos Alberto, Ramos Delgado, Oberdan e Rildo; Joel Camargo (Negreiros) e Lima; Amauri, Toninho, Pelé (Almiro) e Pepe. Técnico: Antoninho
Benfica: José Henrique; Jacinto, Humberto, Raul e Cruz; Jaime Graça (Toni) e Coluna; José Augusto, Torres, Eusébio (Calado) e Simões. Técnico: Otto Gloria
Golos: Toninho Guerreiro aos 8min e aos 32min do primeiro tempo; Toninho aos 2min e 20min, Toni aos 3min e Calado aos 43min do segundo tempo.

 

01/09/1968 –  Santos FC 3-3 SL Benfica
Local: Yankee Stadium, em New York, Estados Unidos.
Competição: Amistoso

Benfica: Nascimento; Jacinto, Raul, Humberto e Cruz; J. Graça e Coluna; Zé Augusto, Torres, Eusébio e Simões.
Santos: Cláudio; Carlos Alberto, Ramos Delgado, Joel Camargo e Rildo; Lima (Orlando) e Negreiros; Edu, Toninho, Pelé e Pepe. Técnico: Antoninho
Golos: Carlos Alberto, Edu e Toninho; Jacinto, Zé Augusto e Eusébio.

Fonte: http://acervosantosfc.com/

 

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