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Liga NOS: Benfica vence Feirense por 4-0

por João Silva, em 02.12.18

Na antevisão do jogo deste sábado, o treinador do Benfica tinha dito que ia entrar em campo antes da equipa e aplaudir todos os jogadores. Mais do que uma tomada de posição e uma afirmação de apoio ao plantel, Vitória colocava-se à mercê dos adeptos: normalmente, na saída do túnel de acesso ao relvado, a equipa sai, concentra a atenção das bancadas e o treinador, que entra em campo na cauda da comitiva, passa habitualmente despercebido. Ao subir ao relvado sozinho, antes dos jogadores, Rui Vitória colocava-se nas mãos dos adeptos. Depressa as bancadas centrais se levantaram para aplaudir o técnico que conquistou seis títulos ao serviço do Benfica.

O Benfica voltava a jogar depois de uma semana que contou com a eliminação da Liga dos Campeões, queda para a Liga Europa, quase despedimento de Rui Vitória e “uma luz” de Luís Filipe Vieira que lhe permitiu manter o treinador. A necessidade de vencer — para lá da justificação óbvia, que era não perder terreno para os três da frente nem ficar sujeito a ser ultrapassado pelo Rio Ave —estava diretamente ligada à manutenção de Rui Vitória no comando técnico do clube, ao estado anímico dos jogadores e à recuperação da confiança dos adeptos. O Feirense que vinha de duas derrotas consecutivas para o campeonato era a oportunidade ideal para fechar de forma mais agradável uma semana com poucos pontos altos.

Rui Vitória voltava a não poder contar com Salvio, que já não jogou em Munique e permanece lesionado, e decidiu fazer três alterações face à equipa que a meio da semana perdeu com o Bayern: regressou Jardel para o eixo da defesa, depois de cumprir castigo tanto no campeonato como na Liga dos Campeões (Conti passou de titular na Alemanha para não convocado em Lisboa), Gedson entrou para o lugar de Gabriel e Zivkovic ocupou o espaço de Cervi. O médio sérvio, a maior surpresa no onze do Benfica na receção deste sábado ao Feirense, foi titular pela primeira vez esta temporada.

A equipa da casa entrou determinada, com velocidade, mas a precipitação não rimava com objectividade. Muito pressionantes às saídas com bola do adversário, os jogadores do Feirense estavam relativamente confortáveis no encontro. O nervosismo acumulava-se todo no lado contrário e era substancial. Poucas oportunidades de golo na primeira parte.

A explosão da equipa de Rui Vitória chegou pouco depois do inicio do segundo tempo. Um cruzamento de Grimaldo e um excelente trabalho de Jonas na área permitiram ao brasileiro abrir o marcador logo aos 48’.

Respirou-se fundo na Luz e tudo passou a ser mais fluído para o Benfica, que nem prescindiu de alguns lances com nota artística. Mais confiantes os jogadores do Benfica foram construindo o resto do espectáculo. 

Aos 57 minutos, num autogolo de Bruno Nascimento. Grimaldo lançou Rafa, este passou pelo guardião Caio Secco e, como não tinha o melhor ângulo de remate, cruzou para Jonas. Porém, o central “fogaceiro” antecipou-se e desviou para o fundo da baliza.

Este estava a ser o jogo de Rafa. O extremo estava a realizar uma grande exibição e coroou-a com um golo aos 68 minutos, a concluir uma jogada na qual Caio Secco ficou mal na fotografia, ao não segurar um cruzamento da esquerda. Rafa só teve de encostar, naquele que foi o sétimo disparo benfiquista no segundo tempo, quinto na grande área.

Aos 89 minutos, Zivkovic cruzou da esquerda para Seferovic e o ponta-de-lança, à segunda, atirou para o fundo da baliza, no primeiro remate que fez no jogo.

A goleada do Benfica, baseada numa excelente segunda parte, teve como protagonistas alguns nomes, como Jonas ou Grimaldo, mas houve um que brilhou mais do que qualquer outro. Rafa Silva fez um jogo de grande nível, mesmo na primeira parte, quando a equipa benfiquista pouco ou nada conseguiu produzir de relevante em termos ofensivos. O extremo português registou um GoalPoint Rating de 8.4, fruto não só do golo que marcou, mas também de inúmeros detalhes do seu jogo em que esteve verdadeiramente endiabrado, como os sete dribles eficazes em nove tentativas, uma ocasião flagrante criada em dois passes para finalização e ainda três intercepções.

  • Álex Grimaldo 7.4 – O lateral-esquerdo foi um dos principais catalisadores do futebol ofensivo dos “encarnados”. Para além de ter sido o jogador com mais acções com bola nesta partida (104), o espanhol completou as suas duas tentativas de drible, fez uma assistência para golo em quatro passes para finalização e teve eficácia em dois de três cruzamentos.
  • Jonas 6.7 – O brasileiro desbloqueou o jogo, com um golo em que mostrou toda a sua qualidade técnica. O ponta-de-lança rematou seis vezes, o máximo da noite na Luz, mas só enquadrou dois disparos e desperdiçou uma ocasião flagrante, pelo que a sua nota é reflexo disso mesmo. Destaque ainda para os três dribles eficazes em quatro tentativas e para os dois duelos aéreos ofensivos ganhos.
  • Pizzi 6.0 – Jogo positivo do médio benfiquista, embora tenha sido menos acutilante do que o costume no último terço. Pizzi fez dois remates (um enquadrado) e realizou somente um passe para finalização, mas somou dois desarmes e seis recuperações de posse.
  • Ljubomir Fejsa 5.9 – Apesar de não ter feito um jogo deslumbrante, o “trinco” sérvio contribuiu decisivamente para os equilíbrios da equipa “encarnada”, em especial através do seu excelente posicionamento. Foi assim que conseguiu somar 13 recuperações de posse, máximo do jogo, e completar 92% dos passes que fez.

Segue-se o jogo a meio da semana para a taça da liga com o Paços de Ferreira na Luz.

 

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