A propósito da eliminação precoce do Benfica nas competições europeias
05.12.14, João Silva
Deixo aqui um excerto da crónica semanal da Leonor Pinhão no jornal d'A Bola:
(...) ACONTEÇA o que acontecer ao Benfica até Maio, que é quando tudo se apresenta decidido, dificilmente escapará Jorge Jesus à fama e à crítica de ter desprezado as competições internacionais em prol da conquista do segundo título consecutivo de campeão que falta ao Benfica há três décadas.
No entanto, se Jesus conseguir transportar o seu Benfica até à revalidação do título (enfim... quase tudo) lhe será perdoado. E se é verdade que o treinador, olhando para o que tinha à disposição, apostou tudo no campeonato nacional, talvez lhe venham dar razão os seus detractores da actualidade.
No fundo, pertencem à mesma escola filosófica que na temporada de 2005/2006 chamou os nomes todos a Ronald Koeman acusando-o de, por vaidade pessoal, se ter marimbado no campeonato nacional dos portuguesinhos para fazer uns brilharetes notáveis, ainda que em vão, na Liga dos Campeoes dos tubarões.
Lembram-se?
A Benfica de Ronald Koeman, o treinador que hoje brilha no comando do surpreendente Southampton, não demorou a desistir do título conquistado na época anterior pelo Benfica de Trapattoni mas chegou com estrondo e fanfarra aos quartos de final da Liga dos Campeões depois de afastar o Manchester United na fase de grupos e de afastar o Liverpool nos oitavos-de-final, finalmente, arredado do sonho pelo Barcelona que haveria de conquistar o troféu, como era de esperar.
Choveram então críticas como picaretas sobre o holandês por ter optado pela prova mais mirífica e com mais status quo a nível quando tinha o nosso campeonatozinho de trazer por casa à mão de semear. A verdade é que Koeman acabou por não ganhar qualquer uma das competições, embora se possa sempre ufanar de ter conquistado em Agosto de 2005 uma Supertaça Cândido de Oliveira numa final com o Vitória de Setúbal.
Este ano, Jorge Jesus já conquistou a sua Supertaça de Agosto. E ainda pode ganhar uma quantidade de troféus de que a gente gosta. É esta, para já, a sua enormíssima vantagem sobre Koeman e sobre as escolhas de Koeman. Se é que os treinadores fazem escolhas...
