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O Maior Clube do Mundo

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Razão e coração

13.03.12, João Silva

O Campeonato está a entrar numa fase crucial. Quem ficar para trás, dificilmente, terá margem para recuperar.

Todos o sabem, mas uns parecem sabê-lo melhor que os outros.

 

Convergem vontades e palavras para evitar que quem regressou ao topo de forma revalide o que por direito lhe pertence. É sempre assim. Nem é preciso ler “Arte da Guerra”, do velho e sábio Sun Tzu, para se saber que uma das tácticas que mais frutos costumam dar é a da desestabilização emocional dos adversários antes da hora do confronto em que tudo se decide.


O Futebol não é, como alguém disse, uma religião ou um assunto de Estado.

Mas, no vazio de muitas outras crenças, ele ocupa um espaço singular em que se juntam razão e coração, com o segundo, quase sempre, a falar mais alto que a primeira.


Nas religiões, o que conta é a fé, que abre a porta aos dogmas que tornam quase tudo indiscutível e indisputável.

No Futebol, o que conta é a paixão, que também tem os seus dogmas e pouco espaço deixa para a serenidade da análise equidistante e fria. Para isso existem os comentadores, que fingem nunca ter clube ou cor preferida, mas que, frequentemente, deixam cair a máscara e acabam por denunciar o jogo.

 

Para o resto, para o terreno da paixão, existem os adeptos, os que sofrem, gritam, insultam, choram, culpam e desculpam. Exactamente porque para eles só existe o coração. E a paixão.


O Benfica levou tempo a recuperar, mas está onde, e como, queremos que esteja: combativo, criativo e com energia. Por isso é temido e respeitado.
Mas, também por isso, este é o momento em que é preciso manter a cabeça fria entre linhas para que, fora delas, os corações que vibram possam viver as suas merecidas horas de júbilo.


E há sempre vozes que provocam, que desafiam, que tentam desestabilizar, porque sentem o cheiro do perigo e a primazia em risco. Mas, como diz o velho e sábio provérbio, essas vozes, como as do pequeno equídeo das fábulas, nunca conseguem chegar ao céu, nem mesmo ao som de apitos.

 

JOSÉ JORGE LETRIA