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Há 45 anos, com transmissão em directo na RTP e na TVE, o Benfica fez um dos melhores jogos europeus de sempre (5-1 ao Real Madrid) na Luz.

Há qualquer coisa de mágico nas noites europeias na Luz. Sejam elas à terça-feira, com a queda do Muro de Berlim, ou à quarta, como muitas, mas especialmente aquela de há 45 anos, quando o Benfica destroçou o Real Madrid, tetracampeão espanhol e vice-campeão europeu, por 5-1 na maior derrota até então do colosso espanhol - daí para a frente, só o Milan conseguiu afundar ainda mais o orgulho dos madridistas com o memorável 5-0 em 1989.

A história dos 5-1 não começa nem acaba nesse 24 de Fevereiro de 1965. Antes, muito antes, ainda na pré-época, mais precisamente em Agosto de 1964, o Benfica testou um novo Real Madrid, órfão de Di Stéfano pela primeira vez desde 1953. A idade (38 anos) já pesava e o avançado recebeu a carta de desobrigação, pelo que foi procurar um clube que precisasse dele, que acabou por encontrar em Barcelona, no Espanyol.

Depois da vitória sobre o pentacampeão europeu na final da Taça dos Campeões em 1962 (os famosos 5-3 em Amesterdão), o Benfica surpreendia novamente o Real Madrid.Sem o génio argentino, o Real Madrid ficou privado do seu maior talento e o jogo da equipa ressentiu-se, o que ficou à vista nas meias-finais do prestigiado Torneio Ramón Carranza, em Cádis, onde o Benfica deu cartas com um espantoso 2-1 sobre o Real Madrid, com golos de Eusébio (17'), Puskas (62') e Torres (90'+3).

E quando o sorteio da UEFA, a 17 de Dezembro de 1964, pôs frente a frente as duas potências ibéricas, nos quartos-de-final da Taça dos Campeões, o clamor por vingança desportiva fez-se ouvir pelos quatro cantos da capital espanhola. Isso de nada valeu para abafar a superior qualidade do Benfica, assente num Eusébio verdadeiramente endiabrado e ainda não reconhecido pela imprensa internacional como O Eusébio.

Prova disso é o facto de Pachín, defesa-esquerdo do Real Madrid, ter-se metido com José Augusto, o fantástico extremo-direito do Benfica, com frases sobre o indomável Pantera Negra. "Quando já estava 3-0, com um golo meu e outros dois do Eusébio, qual deles o mais vistoso, o Pachín só me dizia 'mira, que este negrito es impresionante', 'este negrito es fuerte', 'que aparece en todo lado' e 'que no para nunca'."

Eusébio, que por essa altura já levava 19 golos na Taça dos Campeões em apenas 20 jogos, deu um banho de bola, bem acolitado pelos extremos José Augusto e Simões, autores do 1-0 e 4-1, respectivamente, sem esquecer o capitão Coluna, que fixou o resultado.

Nessa noite, toda a Espanha ficou rendida a Eusébio e ao Benfica. Ao intervalo, 3-0. No fim, 5-1. A diferença entre os dois clubes foi enorme e, desta vez, nem foi preciso ler os jornais do dia seguinte para a constatação de tal facto, porque o jogo passou na televisão. Coisa rara em Portugal. E também em Espanha. Mesmo com o Estádio da Luz a abarrotar com 80 mil adeptos ruidosos (disso mesmo se queixou Miguel Muñoz, treinador do Real Madrid, que não conseguia ouvir a sua própria voz "naquele espectáculo"), as televisões dos dois países - TVE e RTP -, deram o jogo em directo e a distância entre Benfica e Real Madrid foi tão grande, tão grande, tão grande, que a equipa espanhola apanhou um avião sem escala em Madrid e só parou em Barcelona, onde iria jogar no domingo seguinte, para a Liga espanhola, com o eterno rival.

Aí, deu-se bem (2-1) mas os jogadores não se livraram de uma valente assobiadela no Aeroporto El Prat e no próprio Camp Nou, com dizeres trocistas, do género "o império caiu".

Sejamos francos, foi uma noite inesquecível, e só Puskas não quis ver isso. No dia seguinte à debacle, já em Barcelona, o húngaro desculpou-se com o árbitro inglês Howley, que não assinalou dois penáltis, e quando confrontado por um jornalista com a vergonhosa exibição que até passou na televisão, respondeu torto: "A televisão engana bastante e não dá uma imagem exacta dos acontecimentos." Ora aí está um exemplo de quem não acredita que uma imagem vale mais que mil palavras. Confuso? Não, Confúcio.

Rui Tovar

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