Frente-a-frente. Ai Jesus, haja Paciência
Domingos é o rival mais recente de Jesus, que vai coleccionando inimizades na Liga.
No sábado, ver-se-á se o dia do Senhor é só ao domingo.

Não é para mastigar nem para deitar fora. A rivalidade entre Domingos Paciência e Jorge Jesus não mete chicletes mascadas de boca aberta pelo meio. Mete só bocas. E elas começaram logo no início da época, com António Salvador, o presidente do Sporting de Braga, a queixar-se do físico dos jogadores dele - a culpa, disse ele, foi da má gestão de Jorge Jesus enquanto treinador dos bracarenses - e Jesus a responder à letra - "não tenho nada a ver com a organização da equipa do Braga", disse Ele. A maiúscula é propositada, porque aos olhos dos seus fiéis, os benfiquistas, este Jesus é como o Jesus original, milagreiro e omnipresente. E omnisciente. "Todos os jogadores foram escolhidos por mim e já lhes tinha dito que íamos ser campeões", afirmou Jorge Jesus sobre a valia do plantel do Sporting de Braga. Domingos não gostou e, aqui e ali, foi lançando a suas farpas, com os olhos postos em Pablo Aimar: "Eu não incentivo os meus jogadores a arranjarem faltas. [Ao Benfica] ainda lhes falta o primeiro lugar, o que seria a cereja em cima do bolo e o desejo de muitos milhões". "O desejo dos muitos milhões" acabou por concretizar-se e o Benfica visita o Sporting de Braga como co-líder. Em disputa estará o comando da Liga e a assunção de uma de duas gerações: a da velha guarda (55 anos), do "pintas" de Lisboa orgulhoso das raízes sociais e futebolísticas modestas e dos pontapés na gramática; e a da nova fornada (40 anos), do homem criado no FC Porto dele, multitulado enquanto jogador e com o discurso polido, estudado e reinventado. Já se defrontaram por cinco vezes e a vantagem está do lado do menos experiente que ganhou com o Leiria ao Belenenses (1-0). De resto, quatro empates.